sábado, 3 de dezembro de 2011

Chutando cachorro morto



Estou ficando repetitiva com esse assunto, mas é que eu estou realmente gostando da polêmica.
Tudo bem que pra mim polêmica tem outro sentido: dois lados discutindo com igualdade de razões, apenas enxergando o mesmo assunto sob pontos de vista distintos, deixando os observadores confusos sobre qual lado está certo.
No caso da construção da usina de Belo Monte não é bem polêmica. É mais uma enxurrada de respostas melhor fundamentadas, circulando na rede, através de vídeos amadores estrelados por pensadores profissionais, contra um vídeo profissional estrelado por amadores e seus argumentos pífios.
Eu sou a favor da construção da usina. Dessa e das tais outras treze que o vídeo dos atores cita. E de quantas mais forem necessárias para levar infraestrutura e desenvolvimento para o norte do país.
Sou a favor das construções megalômanas da época da ditadura que endividaram o país sim, mas que nos tiraram da idade média. Hoje a conta está paga e temos rodovias, usinas, pontes, portos e aeroportos e tudo o mais que brasileiro adora reclamar que não funciona, que está sucateado, mas que na hora que precisa mudar, construir, reformar, é contra.
Sou a favor do desenvolvimento, de água encanada, de luz elétrica, de saneamento básico, de comida na mesa, de trabalho digno, de escola para as crianças. Sou a favor de tudo o que trouxer condições de vida melhores para os brasileiros, sejam eles do sul ou do norte, brancos, negros ou índios.
E sou contra, terminantemente contra, a incoerência desses ecologistas.
Justo pelo jeito, é deixar criança morrer de desinteria nos confins da floresta porque não tem estrada pra levar o indiozinho pro hospital.  E ele ficou doente porque comeu comida estragada, já que no vilarejo onde ele mora não tem energia elétrica, então ninguém tem geladeira para conservar os alimentos. Mas tudo bem, porque mesmo que houvesse energia elétrica o pai do indiozinho não poderia comprar uma geladeira, já que ele não sabe ler e nem escrever, então não consegue um emprego. E mesmo que houvesse energia, e ele soubesse ler e escrever e até um pouco de matemática, não haveria emprego para o pai dele, já que eles moram numa zona de preservação ambiental! Assim o indiozinho está fadado a morrer de desinteria, a causa de morte mais estúpida para uma criança em pleno século XXI. E a mãe do indiozinho nem vai poder fazer um soro caseiro com um copo de água limpa, uma colher de sopa de açúcar e uma colher de chá de sal, porque ela nunca assistiu TV e nunca aprendeu a salvar a vida do filho da maneira mais simples que há.
O jeito é pintar o corpo, dançar em volta da fogueira, rezando para Tupã salvar a pobre criança do espírito do mal que o assombra.
Aí a galera global, nas férias, vai p Xingu, pinta o corpo também e entra na roda. Tem modelo que vem dos EUA pra isso! E depois sai na Caras...
Isso é incoerência!
Certo é o SWU, o tal evento da música com pretensões ambientais distribuir um tal de “porta bitucas” de cigarro, para que as pessoas não “poluíssem” (alguém explica que poluir e sujar são duas coisas bem diferentes?) o ambiente. Ideia boa, né? Uma merda de uma ideia! O tal “porta bitucas” é feito de plástico, mais precisamente de uma garrafa pet antes de ser soprada (para quem não sabe, as garrafas pet “nascem” como um tubo de ensaio de plástico, com rosca na ponta. Depois são sopradas numa máquina especial que dá a forma para a garrafa onde vai ser colocado o refrigerante), ou seja, de garrafa pet “virgem” vinda diretamente da fábrica de plásticos, que se utiliza de petróleo para tal.  Só esqueceram que o filtro de cigarro que “polui” é feito de celulose, matéria orgânica.
Isso é incoerência!
Não sou contra a preservação ambiental e a conscientização da população. Mas tudo isso tem que ser feito de uma maneira racional, que vise mesmo à manutenção da vida na terra. E não o retrocesso às cavernas.
Em algum momento essa gente se perdeu e de repente a vida de minhocas e passarinhos vale mais do que a dos seres humanos. De repente aparecer na mídia fazendo pose de engajado é mais importante do que o resultado dos seus atos. De repente o mundo acaba por "excesso de zelo".

3 comentários:

. pamela moreno santiago disse...

Boa noite.
Desculpa o incomodo, mas venho hoje pedir que olhe com carinho meu blog de resenhas literárias, o O Leitor.
Se puder fazer parte, agradecemos.

Obrigada e uma ótima sexta-feira. Beijos,

Pamela.

Anônimo disse...

Desculpe mas eu acho que indiozinho passou a vida maravilhosamente bem sem o homem "civilizado", indiozinho nao sabe o que é geladeira nao, tem fome,vai caçar, vai pescar, tudo fresquinho, indiozinho nao tem necessidades criadas por publicidade, antes da nossa chegada, vivia maravilhosamente bem, em harmonia com a natureza, sem essa vida insana de consumismo e trabalho do homem "civilizado"! Os próprios indios sao contra a construçao da Usina, voce tem que entender que nessa historia ninguem ta pensando em indiozinho nenhum e o que conta mesmo é , como sempre, o dinheiro.

Anônimo disse...

Guria... já li vários escritos teus muito bons, mas este, matou a pau. Parabéns amiga!!