Há alguns meses sinto que a minha vida tem mudado. Ou talvez a maneira como eu a tenho levado. Ops! Vivido. A gente não leva a vida pra lugar nenhum. É ela que nos leva, certo?
As mudanças são grandes. Enormes. Mas quase imperceptíveis a olhos menos atentos.
Enquanto no ano passado eu mudei externamente (próteses, corte de cabelo, novo cargo, nova casa, ...) esse ano as mudanças são em outro nível.
A vaidade não me rege mais. Muito pelo contrário. Me pego escolhendo as minhas roupas pelo conforto na maioria dos dias. Os saltos altos coitados, abandonados na sapateira, imploram para um passeio. Mas estou decidida a não sofrer mais com eles a não ser quando absolutamente necessário. Meus brincos enormes, minhas barulhentas pulseiras e meus anéis extravagantes, estão todos muito bem guardados, intocados. Cansei de tanta coisa pendurada em mim, preciso de leveza pra me movimentar!
E movimento é a palavra dos últimos meses. Desde estacionar o carro na vaga mais longe possível até caminhadas de duas horas, passando por quatro visitas semanais à academia, o que interessa é me movimentar. Mesmo nos dias mais frios, no tempo mais fechado, meu corpo se comanda sozinho e quando vejo já estou no parque, respirando fundo um ar que parece que me falta se estiver em quatro paredes. Nada me detém. Mesmo os ventos gelados dessa cidade, a falta de companhia muitas vezes ou as bolhas nos pés, que são muitas, exercitar-me tornou-se fundamental.
Eu preciso estar ao ar livre! E isso me assusta às vezes porque a eu de antes era doida por cimento, ar condicionado e luz artificial.
Nessa onda natureba toda minha alimentação também mudou radicalmente. Adeus aos banquetes, às orgias gastronômicas, às refeições pantagruélicas. Verduras, legumes, fibras, sucos e toda a sorte de gororobas naturais e saudáveis se encontram no meu carrinho de compras. Barrinha de castanha com cupuaçu por exemplo, se transformou na minha iguaria preferida, só atrás do indefectível chocolate ao leite, o que é perfeitamente compreensível considerando que eu ainda sou uma mulher.
Se anda comendo tão bem, é claro que não poderia macular esse quadro todo com cachaça, né? Parei de beber também. Nem o choppinho das sextas feiras, nem o vinho das noites frias. E passo muito bem, obrigada. Inacreditavelmente.
Com tanta disciplina também tenho lido muito. Sempre li, por puro prazer. Mas tenho dedicado mais tempo a isso e aprimorado um pouco o gosto literário. Os romances e os livros óbvios estão meio de lado, dando lugar a histórias mais elaboradas, aos clássicos, à filosofia e à sociologia. E isso tem me feito mudar um pouco a maneira de ver as coisas, e influenciado diretamente em alguns sonhos e vontades. Na verdade, por mais louco que isso possa parecer, tenho passado muito tempo só pensando, elaborando, redefinindo conceitos e opiniões.
E diante de tudo isso, agora registrado, chego à conclusão de que na verdade o meu caso é de obsessão! Sim! O que eu tenho é um encosto “bicho grilo”! Só pode!!
O que será que eu tenho que cantar pra ele subir? Uma música do Beto Guedes?
2 comentários:
Acho que vc deve voltar pra ioga e entoar mantras...quem sabe o Nando desencosta??? hauhauahua beijo e volta logo...Quéca
Oi? Hein? Bicho grilo subir? Beto Guedes?
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