terça-feira, 13 de setembro de 2011

Meu 11 de Setembro

Passei o feriadão de sete de setembro em Assunción, no Paraguai e foi ótimo.
Na verdade foi surpreendente em tantos aspectos que acho que escreveria um livro sobre os cinco dias que passei lá. Na verdade seis. E é sobre esse sexto dia que quero falar agora.
Meu vôo deveria sair de Assunción às 16:55h de domingo, vindo de Buenos Aires e por óbvio, lotado de brasileiros que também foram passar o feriado entre “hermanos”. Embarquei  e após uns quinze minutos dentro do avião que não decolava, fomos avisados pelo piloto que havia um problema na aeronave, que deveria ser solucionado rapidamente, mas que poderíamos descer do avião e aguardar na sala de embarque.
Pelo jeito o problema não era de tão fácil solução e esperamos por umas duas ou três horas. Claro que a “brasileirada” já estava toda alvoroçada, exigindo uma resposta de um funcionário da companhia aérea que não tinha informações para passar para os passageiros até porque essas informações ainda não exisitiam.
Eu não entendo lhufas de mecânica de avião, mas o pouco bom senso que tenho me diz que não deve ser algo muito simples e que se havia demora em nos apresentar uma posição não era por que a companhia aérea estava de brincadeira com os importantíssimos brasileiros a bordo.
Importantíssimos porque uma fulana, saída sabe-se lá de qual faculdade de direito por correspondência alardeava aos quatro cantos que processaria a companhia e que já sabia que processos assim giravam em torno de quatro milhões de reais. E eu ficava me perguntando o que o domingo à noite daquela senhora tinha de tão importante que valeria tanto! Era por acaso a Athina Onassis que estava ali, naquela sala de embarque? Nem o domingo à noite dela vale tanto!
A demora continuava, a previsão de embarque era para as duas da madrugada e os brasileiros começaram a gritar como funcionário da empresa por comida. Aí é que o fiasco atingiu seu ápice: liberados os carrinhos de catering, os brasileiros saíam com braçadas de caixinhas de sanduíches. Braçadas! Senhoras atacavam o carrinho e de lá tiravam cinco, seis, sete caixinhas de sanduíches. Nunca vi gente  “fina”  tão desesperada por pão, presunto e queijo, mas enfim, três horas sem comer era mesmo motivo para tudo aquilo! Meu medo foi de que se a Gol demorasse muito para nos despachar para o Brasil aquela gente começasse a tirar no palitinho quem comeria quem, como as vítimas daquele acidente nos Andes.
Enfim que o vôo foi cancelado, fomos levados ao hotel como manda o protocolo e a turba de brasileiros finalmente calou a boca quando se viu frente a um dos hotéis mais bonitos, tradicionais e elegantes de Assunción. Pra quem pagou viagem para Buenos Aires em dez vezes no cartão de crédito que dava direito a hospedagem em hotel três estrelas, aquela gente estava num lucro danado!
Mesmo assim,  no café da manhã o burburinho era de que iriam processar a Gol, afinal, aquilo era um absurdo, um descaso, uma tremenda sacanagem!
Absurdo o que cara-pálida? Absurdo a companhia aérea nos colocar em um hotel cinco estrelas? Ah também achei! Aquela gente mal educada deveria dormir na pensão da “Avuela Consuelita”  com banheiro coletivo.
Descaso? Descaso seria levantar vôo arriscando a vida de trezentas pessoas com uma aeronave avariada!
Sacanagem? Sacanagem é  essa mania  besta de processar  tudo e provocar a justiça por qualquer besteira!
Um dia de trabalho “perdido” não mata ninguém, não muda o destino do mundo e não faz grande diferença nem na vida do Eike Batista.  Mas perder vários dias de trabalho para ir às audiências do tal processo, tudo bem, né? Aí não é tempo “perdido” porque sei lá, vão ganhar quinhentos reais de indenização! Uhu! Isso sim vale a pena!
E uma pena essa gente tão pequena, que foi a Buenos Aires e provavelmente nem pisou na Recoleta (mas conhece TODOS os Outlets da Nike do subúrbio portenho) não ter percebido a oportunidade de conhecer um pouquinho de uma cidade simpatissíssima como Assunción.
Eu aproveitei e passeei um pouco mais. Até porque faria qualquer coisa pra ficar bem longe daqueles grosseiros com a mesma nacionalidade que a minha.
De verdade eu espero que esses bocós se empolguem bastante com suas camisetas Lacoste e seus alfajores Havana e esqueçam de processar a companhia aérea por um motivo tão banal. Aquele mesmo pouco bom senso que eu tenho me diz que o nosso judiciário tem questões realmente importantes para julgar.

5 comentários:

Anônimo disse...

Boaaaa Sis!!! Muito mesmo! Esse povo aí deve ser o mesmo povo que manda aquele tipo de email chamado "utilidade pública", o caceteee! Amo vc viu? Saudade!!! Cacá

Anônimo disse...

Passei "ao acaso" no seu blog e li seu texto "Meu 11 de setembro"
e confesso que me chamou a atenção a maneira como retratou a mediocridade das pessoas (brasileiros) em relação a fatalidades como a de um simples conserto de aeronave. Por experiencia própria digo que já passei pela mesma situação, mas onde a maioria dos passageiros não eram brasileiros que pagariam sua viagem em 15 vezes no cartão, e não tiveram a mesma reação abusada de "recém formados em direito" onde querem a todo custo processar quem quer que seja.
O que falta é educação e bom senso aos "emergentes" de vôos internacionais comprados em sites de compras coletivas!

Anônimo disse...

¡MUCHAS GRACIAS MARIA!
Espero que hayas pasado muy bien en nuestra ciudad y que vuelvas siempre.
Saludos desde Asunción.

João Reis disse...

Você escreve muito bem! Sério! Gostei e irei indicar o seu site!

Parabéns!

Anônimo disse...

Carol,

Como vc escreve bem! Consigo ver a cena da galera se engalfinhando por um sanduiche embrulhado...

Beijos,

Pupo