Primeiro dia de verdade em Cancun.
Depois do café da manhã, da Quéli trocar de roupa 732 vezes, da Val fazer escova e de eu começar a me estressar, afinal, eu já estava de biquíni, saída de banho, chapéu, óculos, protetor solar fator 50, inconfudível penteado abacaxi, blá, blá, blá... tendo taquicardia de tanta ansiedade para começar a aproveitar as tão sonhadas férias resolvemos passar o dia em Cancun, ir à praia, fazer um "reconhecimento do local".
Graças aos intermináveis resorts, nem todas as praias em Cancun são públicas, então resolvemos, inocentemente, pedir informações ao funcionário da agência de viagens que nos atendia.
Meu espanhol não é lá aquelas coisas, mas eu sou metida e tentei me comunicar com o tal "Ernesto" (que presumo tenha sido demitido no dia seguinte por sacanagens como essa que fez conosco).
Pedi que nos indicasse uma praia que fosse bacana, movimentada, com bares, música, moços bonitos e tudo o mais a que tínhamos direito (e que depois encontramos sozinhas, graças à nossa revista brasileira).
O tal guia, simpaticíssimo, nos indicou a tal Praia Langosta, que segundo ele ficava a quinze minutos do hotel se fôssemos andando ou cinco minutos de ônibus e nos disse que tudo o que queríamos, encontraríamos lá.
Como era nosso primeiro dia, ainda estávamos cansadas da viagem de jegue, ops, de CopaAirLinesQueNãoChegaNunca, resolvemos pegar o tal ônibus.
Eu não sei se porque o fuso horário deles é duas horas atrasado ou se o guia estava de sacanagem mesmo com a gente, mas gastamos nossos primeiros 25,50 pesos para andar 50 metros de ônibus! Sim! Mal deu tempo de o motorista nos entregar o troco das passagens e ele já nos mandou descer. Primeira raiva "maya" das férias que só havia começado há uma meia hora mais ou menos. Com os passar dos dias aprendemos que apesar de muito atenciosos aqueles mexicanos gostam mesmo de sacanear pobres brasileiras indefesas.
Bem estávamos na tal Praia Langosta, que estaria cheia de gente, música, margueritas coloridas, agito...
Aham!
A praia era linda, mas havia apenas seis ou sete pessoas nela, todos mexicanos nativos yucatáns e nenhum bar à vista (exceto o do nosso hotel que dava pra ver dali, com todas as suas bebidas grátis nos esperando).
Enquanto a Val morria de tanto rir, eu me perguntava o que havia de tão errado no meu espanhol que fez o guia entender "nativos" ao invés de "gatinhos", a Quéli, num arroubo pisciano sugeriu que já que estávamos ali, todas "produzidas" naquela maldita praia deserta, que fôssemos ver os peixinhos coloridos naquele mar cristalino. Excelente idéia!
Foi aí que a Val, que conseguiu parar de rir um pouco perguntou se os "peixinhos" que a Quéli queria ver eram como aqueles que estavam na mão de um dos "xicanos": o nativo estava, literalmente, "caçando" peixes na praia, com uma peixeira gigante, matando peixes que serviriam para o almoço de uma família e os limpando ali mesmo, na areia!!
"Sebo nas canelas" foi a frase que me veio à cabeça e foi exatamente o que fizemos: saímos correndo, pela saída pela direita mais próxima que encontramos!
Claro que acabamos na praia de um hotel chiquérrimo e sem saída para a rua. Depois de muitas voltas decidimos usar a nossa cara de pau brasileira, adentrar ao hotel, usar o banheiro e sair dali donas de si, de nariz empinado, ... pela saída de serviço, claro!
Mas dali conseguimos a informação que a tal Playa Tortuga estava perto, e essa já era nossa conhecida das nossas pesquisas sobre Cancun. Fomos a pé mesmo porque descobri que quinze minutos caminhando para um mexicano é o mesmo que duas quadras para nós brasileiros.
Enfim uma praia normal. Não muito movimentada, mas tinha um bar e garçons à disposição, uma bela vista, o mesmo mar cristalino mas nenhum nativo com uma faca por perto. Perfeito.
Nos acomodamos e pedimos ao garçom uma cerveja num balde com gelo e copos. O pedido mais simples do mundo! E acho mesmo que eu devia estar falando em búlgaro gramatical com ele porque o cidadão nos serviu sal, limão, um copo enorme de isopor onde ele despejou um litro de cerveja e, pasmem, três copos plásticos com gelo!!! Que diabos ele pensa que bebemos no Brasil?? Eu não sabia mais se ria, se chorava, se desistia de falar espanhol,... Nos livramos do gelo, bebemos a cerveja a partir daquele "balde" onde ele a havia despejado, inspiramos, expiramos e nos concentramos em "desfrutar" o dia no Caribe.
E assim foi feito. No final da tarde já estávamos dentro do bar, ensinando o barman a fazer caipirinhas como no Brasil, experimentando o tal clamato (suco de tomate batido com ostras, molho inglês, chili, vodka e gelo, excelente para curar a "cruda" que é a ressaca mais avassaladora que presenciei!) e nos divertindo muito, enfim!
Após alguns fiascos, sobrevivemos ao primeiro dia. Mas só ao primeiro porque o dia seguinte, no barco para Isla Mujeres sim seria inesquecível!
P.S.: Esqueci de contar que de volta ao hotel, como boa brasileira que não desiste nunca, decidi perguntar ao recepcionista como se diz "homem bonito" em espanhol, dado o fiasco como os nativos. Ele me disse que o meu espanhol estava correto e que havia uma praia assim a cinco minutos do hotel no sentido contrário à Praia Langosta, chamada Temptation Beach e que lá eu encontraria belos homens pelados e casais fazendo swing...
Oi? Não é bem isso que estávamos querendo... e como não conseguia me fazer entender nem em português, nem em espanhol e tampouco em inglês, desisti completamente de perguntar sugestões àqueles mexicanos malucos.
Eu e as meninas decidimos seguir os nossos "instintos" a partir dali...
1 comentários:
haha! Amiga, mais uns passeiozinhos e vcs já ficam craques!!! Perguntar nos locais para turistas é sempre uma furada! Dentro ou fora do Brasil!!!kkk
No aguardo dos próximos capítulos...
Cibele
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