terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sai Neura!

Minha mãe tem uma doença. E é muito séria.
Essa doença é hereditária, porque minha tia tem, minha avó tem e minha bisa tinha. Passa só para mulheres e eu dei sorte de ter o DNA degenerado que não herdou.
Todas elas sofrem de mania obsessiva de limpeza. E como é triste ver alguém com esse quadro.
Minha mãe está sempre limpando alguma coisa. Sempre fazendo faxina. Sempre jogando alguma coisa fora. Sempre organizando. E sempre, nesse caso é sempre.
Hoje falei com ela e ela estava de novo começando a fazer “arrumação” lá em casa. E eu tenho até medo quando a ouço dizer isso. Temo pelo meu pai, pobrezinho, porque segundo ela, o que está velho e sem utilidade imediata, não pode nem ser reciclado. Tenho certeza que num surto desses ela atira o coitado na lata de lixo orgânico.
A tal da “arrumação” consiste em jogar inúmeras e às vezes valiosíssimas coisas (como os meus cadernos de redação da infância, meus chinelos birkenstock, o diploma da faculdade do meu pai) no lixo e trocar as outras de lugar, que é para os outros habitantes da casa nunca terem certeza se perderam seus bens para todo o sempre ou se eles apenas estão escondidos em outro lugar. É uma tática ardilosa utilizada por essa mente perturbada pra escapulir dos inevitáveis confrontos e nos deixar sempre em dúvida.
A prova disso é que os meus álbuns de casamento estão guardados num armário junto com biquínis velhos e panos de limpeza, a cômodos e mais cômodos de distância dos outros álbuns de fotografia da família. Só pode ser pra me deixar maluca procurando e achando que minha mãe os mandou pra reciclagem (ao contrário do meu pai, meus álbuns são de papel e plástico, portanto, podem servir pra outra coisa). Ou é a maneira dela de demonstrar a decepção com o meu divórcio: exilou as minhas pobres fotos na área de serviço. Não sei. Nem Freud explica.
Outra ótima foi guardar o aparelho de som. Meu pai tem ainda um aparelho de som que toca discos. Afinal, ele tem uma coleção de mais de 700 vinis e não quer deixar de ouvi-los. Dou toda a razão. Vinil tem muito mais charme que CD. Pois bem. A tomada do aparelho de som estragou e ao invés de alguém mandar trocá-la, a minha mãe empacotou o dito em sacos de lixo e guardou na despensa. Eu perguntei por que ela estava fazendo isso e ela disse que era pra não pegar pó. Imagino que a despensa lá de casa seja a impecável bolha do Michael Jackson e que lá o estragado toca discos não vai se sujar. Uma lógica própria que só ela consegue entender.
O mais triste dessa doença que ela é tipo câncer: a família toda sofre com ela. Mas no caso da mania de limpeza da minha mãe a gente não sofre de vê-la padecer. Até porque ela não padece, ela curte! A gente sofre porque é envolvido no processo sem chance de defesa.
Em uma das minhas férias de verão, no calor louco da minha cidade, tudo o que eu e a minha irmã queríamos era sol e piscina. Justo, porque afinal éramos crianças e é isso que criança faz nas férias escolares. Mas um belo dia a minha mãe nos acordou com panos, balde, esponja e Veja. Naquele dia nós não iríamos à piscina como fazíamos sempre. Nossa atividade educativa das férias seria limpar as portas brancas do apartamento. São umas doze ou quinze portas, todas brancas, cheias de frisos e frescuras e que nós teríamos que limpar, com esponjinha. Legal né? E vai contrariar pra ver no que dá! Limpamos... Mas até hoje não entendi o porquê do castigo, já que estávamos nos comportando muito bem. No fundo eu acho que minha mãe pensou que estava nos dando um presente, uma coisa super divertida pra fazer nas férias, algo parecido com nos levar à Disney!
Como eu disse ela curte!
Não perdoa nada nem ninguém. A coitada da cachorra toma banho no tanque, de magueira, ou de qualquer coisa que minha mãe tenha à mão quando a bichinha aparece meio fedegosa na frente dela, os gatos tomam banho com água e sabão (sim! Até os gatos! Aqueles bichos naturalmente autolimpantes) e nós não vou nem comentar. Quando o meu pai chega em casa meio “alegrinho” de beber umas doses de whisky com os amigos, ao invés de ela lhe dar uma boa xícara de café forte, que é o que se espera pra curar um porre, ela lhe dá um banho!
Aos domingos, enquanto as outras senhoras vão à missa, a minha mãe vai passar um “paninho” no chão. Só que são quase trezentos metros quadrados de chão! Ah! E ela passa uma vassoura antes, claro! Mas ela jura que é só pra dar uma “ajeitada” na casa.
Nos feriados, quando todo mundo solta frases do tipo: “Ai que delícia, amanhã é feriado e quero passar o dia de papo pro ar”, ela diz: “Ai que delícia, amanhã é feriado e quero aproveitar pra lavar todas as blusas de lã e guardar em sacos plásticos pra não pegar pó”. Pode?
Acho que se nós ficarmos muito tempo parados dentro de casa ela nos coloca também em sacos plásticos pra não pegar pó! E agora fiquei com medo de novo pelo meu pai, que deveria começar a dormir com um dos olho abertos...
No verão, no final da tarde ela lava o terraço. Todos os dias. Como ela mesma diz: “É pra refrescar!”. Eu tento convencê-la que o que refresca no calor é cerveja gelada e não esfregar o chão, mas tadinha, ela não aceita. A doença é mesmo avassaladora.
Morro de medo de ficar igual. Eu tenho lá as minhas piras, do tipo tomar inúmeros banhos com água pelando, nunca andar descalça, escovar dentes com água quente e umas outras coisinhas à toa que eu sei que qualquer pessoa normal faz. Também não gosto de bagunça, detesto sujeira, mas primeiro eu vivo e depois, quando der tempo eu limpo.
A minha mãe primeiro limpa. Ser der tempo ela dá uma “ariada”. E enquanto descansa dá uma polida.
Eu realmente não entendo tamanha obsessão, mas aceito que assim como a minha celulite, é uma doença e não tem cura
.
Mas deveria ter alguma terapia, tratamento ou paliativo.
Algo do tipo os 10 passos do AA: Só por hoje eu não vou encostar numa vassoura. Só por hoje eu vou deixar a louça da janta pra lavar na manhã seguinte. Só por hoje eu vou deixar a cama desarrumada...
Experimenta mãe! Eu juro que não dói nada!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Anestesia

É acabou. E dessa vez tem sentido de fim mesmo e não de drama de quem espera a volta. Não tem volta. Até porque não existe volta. Existe começar uma nova história, de um jeito melhor, com a mesma pessoa. O que não vai acontecer. De novo. Dá um apertinho no coração afirmar isso... Mas não é dor de perda. E nem saudade. É frustração apenas. Por entender que essas despedidas doídas e esses finais fazem parte da vida e não há como evitar. Ou fugir. Há quem fuja sempre o tempo todo por medo de se machucar. Mas e não se machuca fugindo? E não sente dor por perder, mesmo antes de ter? E não chora sozinho? Nunca? Ah! Então não é gente! É robô, programado pra não sentir. E que dó que dá. Há quem aceite a dor. Quem a esgote de tanto sentir. Quem a esprema até a última gotinha de ácido. Sofre tudo o que tem que sofrer, e um belo dia, sacode a poeira e dá a volta por cima, lindamente! E há quem se condene por ,de novo, estar sentindo a mesma dor, do mesmo jeito que já sentiu e que sabe que passa, mas que não consegue evitar. Eu sou dessas. Não aprendo mesmo, mesmo depois de assistir a essa mesma aula centenas de vezes. Não me convenço de que vai ter começo inebriante, meio entediante e fim torturante. Inevitavelmente. Mas é que a Cinderela dentro de mim acredita que um dia vai ser pra sempre, mesmo achando sempre tempo demais. Ou pelo menos que vai ser enquanto ela quiser que dure e não quando o outro achar que não vale mais a pena. É só birra. Só que dessa vez a dor é outra. É a dor do ponto final. Da certeza. Da realização de todas as profecias que eu mesma fiz nas vezes que discursei minhas agruras pra quem estivesse ao lado, disposto ou não a ouvir, de que um dia essa história seria diferente. Que um dia eu não ia mais querer, que um dia eu ia acordar sem peso no peito, que um dia eu ia dormir sem esperar, que um dia não ia mais machucar, que um dia eu não ia mais chorar e nem me importar e nem precisar desculpar. Porque um dia teria perdido a graça. E perdeu. Minha batalha de Pirro não tem mais exércitos. E o que dói é que nem alívio eu sinto. Simplesmente não sinto. E é esse o motivo desse texto. Depois de infinitas frases e parágrafos, cartas , textos e e-mails, tentando eternizar o que eu achava que era a maior coisa do mundo, eu consigo escrever justamente sobre o desencanto desse amor. Sobre a falta que ele não faz, sobre a saudades que não incomoda, sobre as lembranças que já se confundem no meio de novas histórias, sobre o eterno enquanto dure que de repente acabou. E o que é que dói afinal de contas? Dói só ter consciência de que não fui Julieta, nem Isolda, nem Marília e nem ao menos uma Helena do Manoel Carlos. Dói admitir que briguei tanto à toa, que chorei em vão, que sofri de besta. Que foi só mais uma história e não a história definitiva. Não foi o romance que deveria ser publicado em capa dura. Foi só mais um erro no meio de muitos outros que não enxerguei e tantos outros que ainda vou cometer. O que dói é que o saldo é esse: depois de tudo e tanto, agora é só nada. (Postado pela Maria Clara Escura, já que dona do blog tá sem internet)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dor de Barriga

Já li e ouvi várias vezes que as pessoas deveriam vir com rótulos.
Antigamente até vinham. Existia a mulher pra casar e a mulher pra se divertir. Existia o homem honesto e trabalhador com futuro promissor e o cara que mexia com o coração da moça pra casar. Pronto! Todo mundo se encaixava em alguma dessas posições e o mundo girava perfeitamente.
Hoje não mais. E que falta que faz!
Senão rótulo, porque é politicamente incorreto, pelo menos com o prazo de validade escrito, em letras grandes e em algum lugar bem visível, igual a comida, que é pra ninguém se sentir “lesado”.
Tudo seria bem mais fácil.
Na balada, aquele cara lindo de doer, que te olha e sorri com o canto da boca seria o “perecível”. Por que caras lindos que valem a pena já estão comprometidésimos (e eu sempre me pergunto: em que bar eu estava quando eles começaram a namorar?) . E se ele sorri pra você, com o canto da boca é porque não vale nada mesmo. Quero dizer, vale sim, por uma noite e é melhor conservar na balada mesmo. As chances dele estragar fora do ambiente e melar a sua vida por um tempo são imensas. Então pra prevenir dores de cabeça futuras, consuma instantaneamente. Assim como brigadeiro de padaria, caras assim sempre estão disponíveis na prateleira e a gente esquece dele antes de chegar em casa.
Tem o cara fruta da estação. É mais ou menos como aquele surfista -rasta- bronzeado- gatésimo- de- cabeça- oca que a gente só olha mesmo durante o verão. Acho que é a paisagem, a brisa ou a “maresia”, o sol na moleira, o excesso de caipirinha, sei lá. Alguma reação química inexplicável acontece e de repente aquele ser que fala “sussi”, “só” e “bro” parece interessante. Exatamente assim como água de côco, só é bom na praia. Se experimentar servir em uma embalagem mais, digamos assim, urbana, como a água de côco em copo plástico dos quiosques de praça de alimentação dos shoppings, perde toda a graça. Não há nada mais deslocado quando sobe a serra, mas combina perfeitamente com janeiro e fevereiro. Em março começa a vida e adeus “excessos”.
Tem o cara cerveja: a gente morre de vontade, combina com festa, churrasco, futebol, galera, risadas e tem validade de seis meses. Sem prorrogação! Até porque relacionamento nenhum dura muito se baseado em festa, churrasco, futebol, galera...
Na vida de algumas mulheres aparece o cara feijão com arroz. Simples, satisfaz, é até gostosinho apesar de não ter nada de especial. Encontra-se em qualquer lugar, combina com quase tudo e tem um prazo de validade tão grande que serve até pra doação. Se bem que o difícil é encontrar quem queira, porque é aquele namorado de oito anos, que convive com toda a sua família, pilota a churrasqueira aos domingos, pega o carro do seu pai sem pedir, que já está bem acima do peso e que você continua namorando porque é bonzinho, não encontra um bom motivo pra terminar e tem medo de ficar sozinha. Igualzinho ao arroz e feijão da sua mãe, que ela coloca na mesa todos os dias: você não encontra mais nenhum prazer, mas já está tão acostumada que coloca no prato sem pensar, porque se não comer vai faltar alguma coisa no seu dia.
Bom mesmo seria o homem café: forte, cheiroso, encorpado e que se bem conservado, em embalagem bem fechada (traduz-se por marcação cerradíssima), dura por eras. Mas é tão gostoso que nem dá tempo de estragar. É o tipo que faz o dia começar, que anima as conversas, que faz companhia e que está sempre ali, no lugar e na hora certos.
Dá até pra entender porque não dá pra ficar sem!
Brincadeiras feministas e trocadilhos à parte, acho tristíssimo um texto desse, por mais estapafúrdio que seja, ter cabimento. É uma vergonha as pessoas se tratarem dessa maneira. Qual é a graça de entrar na vida de alguém pra não ficar? Ou nem tentar?
Enquanto eu tento entender, passo longe dos “supermercados”, até porque sou meio tapada para os sinais que fazem as vezes de rótulos. Melhor passar a pão e água que ter uma (outra) intoxicação alimentar!

domingo, 8 de novembro de 2009

Calça Jeans e Camiseta Branca

Já escrevi sobre o descontrole fashion feminino e sobre a nossa total falta de opinião no assunto. Ainda bem que as nossas “modas” só duram o tempo suficiente de duas ou três fotos patéticas para a posteridade.
Enquanto os homens nos assistem, impávidos, vestindo suas eternas calças + camisas+sapatos, e riem das nossas extravgâncias, somos obrigadas a nos calar (nunca!) já que somos mesmo ridículas às vezes.
Mas o bom da vingança é que eles cometem deslizes também. Se não escorregões seguidos de tombos homéricos, já que seu mau gosto dura por anos. E anos!
Alguns trajes masculinos são mesmo inaceitáveis. Pra começar, terno com sapato de sola de borracha. O terno invariavelmente é bege, o que já é motivo mais do que suficiente pra ser condenado à guilhotinha da estética. Mas o tal sapato é o que mais me intriga. Se está de terno é mais do que óbvio de que não irá se meter em algum lugar inóspito que exija solas de borracha. Só mesmo James bond sem mete em frias de terno (preto!). Terno combina com civilização, onde o chão é asfaltado, liso, seco, regular; o que dispensa completamente a sola vulcabrás. Questão de bom senso apenas.
E já que estou falando do terno, a companheira inseparável dele é a patetice masculina mais inexplicável: a gravata! Pra que serve aquela língua pendurada no pescoço? Nenhum homem, mesmo o mais revolucionário sequer questionou o uso da dita. E fica muito pior quando resolvem “customizar” o visual com gravatas amarelas, roxas ou com a estampa do Perna Longa. Ou quando fazem aquele nó apertadinho na gravata com estampa de feijãozinho comprada nos idos de 1991 e parece que o infeliz tentou se enforcar com o cinto do robe de seda da esposa. Dá pra parecer ao menos digno, apesar da ligueta esquisita. Bom senso apenas, de novo.
Mas não há dignidade que sobreviva ao uso da sunga. É de longe a maior vingança feminina (claro que foi uma mulher que inventou! Não tenho dúvidas!). Sunga é o cúmulo do ridículo. Aquele troço apertado, tentando disfarçar a existência de “algo” que não tem como se esconder e o dono ainda tenta aparentar naturalidade. Algumas são mais indignas, como a branca que não fica bem nem no Victor Fasano mas que ainda perde o troféu vexame pra aquela que tem olhinhos desenhados na bunda. Quem vai pra praia com uma bunda que tem cílios e quem encara as pessoas quando passa? Bom, o que é uma gota pra quem está molhado?
E a dupla inseparável da sunga não poderia faltar. Ela que é unanimidade entre as mulheres e que já foi alvo de campanhas ferrenhas na internet contra a sua existência: a regata! Nós só concordamos com o uso de regata em uma ocasião, que é, assim, nunca! Não há motivo, desculpa, perda de aposta que justiqfique o uso daquel trapo de malha (que já é um avanço depois daquela toda furadinha...) que deixa os tufos de pelos do sovaco à mostra. Que tipo de nojo, desgosto ou repulsa se pretende causar? Seja lá qual for, atinge o objetivo com a precisão de uma mira laser. Ou de uma bomba atômica, já que toda mulher em volta faz torce o nariz quando vê. Definitivamente a regata é o repelente instantâneo de mulheres. E deve ser por isso que todo guarda roupa gay assumido conta com pelo menos um exemplar.
Já o broxante imediato feminino é a pochete, que graças à Nossa Senhora do Bom Gosto está quase extinta. Hoje em dia só flanelinha ainda usa, por se tratar de uma ferramente útil de trabalho, afinal o cara não tem como carregar uma caixa registradora pra onde vai. Mas assim que ele conseguir a maquininha de cartão via satélite, nem ele vai usar. Ainda bem!
Mas o Oscar da cafonice do guarda-roupa masculino vai para a camisa social de micro fibra.
Primeiro que eu não entendo o termo “social” quando usado pra definir roupas. Social remete à sociedade. Se não for roupa pra usar em sociedade, vai usar na selva. E na selva não se usa camisa, se usa tanga, igual ao Tarzan. Ah, mas tem roupa esporte? Roupa esporte não existe. Existem trajes humilhantes (como o macacão do Diego Hipólito) para praticar esportes humilhantes (Novamente, Diego Hipólito sobre o cavalo...). Existe roupa e pronto.
Voltando às camisas de micro fibra, eu gostaria de saber se o inventor dessa porcaria foi pra cadeira elétrica ou pro paredão de fuzilamento por seus atentados terroristas contra o bom gosto.
O primeiro defeito da micro fibra é que ela brilha. Brilho só fica bem em mulher e travesti.
Segundo que aquilo não permite a transpiração normal, o que produz aquelas rodelas molhadas embaixo dos sovacos dos pobres usuários (eu tenho problemas com sovaco...). Nojento!
E tem o problema cores. Todas as cores possíveis e impossíveis são produzidas em micro fibra. Do preto ao branco, existe o lilás, o roxo defunto, o abóbora, o abóbora cabotiá, o abóbóra selvagem, o laranja lima, o laranja Bahia, o laranja passada, o verde pistache, o “flamingo” (que é aquela cor de cadeira de boteco de periferia) e toda e qualquer cor que uma viagem de ácido em tecnicolor possa imaginar.
Sou tão contra a micro fibra que defendo a tese de que sua produção e venda deveriam ser criminalizadas como fizeram com as drogas. Penas pesadas pra quem fabrica, crime qualificado (existe a coação!) pra quem vende e orientação psicológica pra quem usa, porque essa alma perdida na cafonice pode ter salvação.
E as atrocidades não param. Meia branca com sapato preto por exemplo, porque todo homem já quis ser o Michael Jackson um dia na vida, usar boné à noite (cabelo tá ruim meu filho? Lava ou raspa!), aquelas correntonas que parecem correias de bicicleta e que até pouco tempo atrás eu jurava que fossem, “sapa-tênis”, que não serve nem pra sapato e nem pra tênis, então não serve pra nada mesmo e o topo da lista que é aquela camisa (de micro fibra, lógico) de manga três quartos e que já vem com a dobra feita pra dar a impressão (não sei pra quem) de que a manga comprida foi dobrada. Essa é imperdoável! O troço é tão infame que eu já mudei o ditado pra “ a mentira tem mangas curtas”.
E sabe o que é mais legal nessa história? É que normalmente são as esposas e namoradas que compram essas aberrações para os seus amados. E eles saem às ruas felizes, se achando lindos! Elas, por trás, devem rir muito. Cada grosseria, cada atraso, cada traição é vingada no Natal ou no aniversário, com um pacote lindo de presente e uma bomba dessas dentro, seguida de uma choradeira tremenda dela, se ele não demonstrar que gostou. Vingança não é mais um prato que se come frio, é uma camisa que não amassa!
Mas pra consolo dos desesperados, há um consenso entre as mulheres. Homem de verdade comete algum crime contra a moda. Se o guarda-roupa for muito estiloso, cheio de grifes e seguindo as últimas tendências, a gente desconfia: ou tem outra mulher, responsável pelos modelitos, ou... não é do tipo que goste de alguma!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Frase do dia

"Creio que fui abençoada com um coração meiguíssimo e em contrapartida com um pavio bem curto."
(Martha Medeiros)